Monografia

Acompanhamento do projeto de conclusão de Curso

Artigos sobre o ensino de história 10/22/2010

Ferreira, M. M., Franco, R. – Desafios do ensino de história. Revista Estudos Históricos, Vol. 21, No 41 (2008): Ensino de História e historiografia

Os desafios do Ensino de História no Ensino Fundamental

Maria Estolimar Gasperazzo[1]

Quando se pretende refletir, repensar ou posicionar-se sobre um ensino de história que contribua para capacitar o estudante a entender o processo social em que esta inserido e tomar posições no complexo quadro de disputas e interesses sociais atuais, um ensino que supere a situação que Munhoz afirma:

“que o ensino de história tal como é ministrado na maioria de nossas escolas é factual e se presta aos interesses das classes dominantes”.[2]

Diante disso é de fundamental importância perguntar-se: porque a história faz parte do currículo escolar e qual a sua importância na formação do jovem.

Para iniciarmos essa discussão sobre o ensino de história no ensino fundamental é importante considerarmos os dois marcos desse ensino, ou seja: a primeira metade do século XIX, com a introdução da área no currículo escolar após a Independência, quando o objetivo era criar uma “genealogia da nação, elaborou-se uma “história nacional” quando o ensino era baseado em uma matriz européia e a partir de pressupostos eurocêntrico. O segundo marco a ser considerado pode ser datado a partir das décadas de 30 e 40 do século XX quando o ensino é orientado por uma política nacionalista e desenvolvimentista.

A história surge como área obrigatória com a criação do Colégio Pedro II em 1837 tendo como referência o modelo francês, quando predominava os estudos literários com ênfase para o ensino clássico e humanístico e destinado à formação da elite.

*Mestre em Educação e graduada em História pela Universidade Federal do Espírito Santo e professora do curso de História do Centro de Ensino Superior Anísio Teixeira – CESAT.

Como área escolar, a História é marcada pela convivência da História Sagrada, que tinha o mesmo estatuto de historicidade com a História Universal e Civil. Ambas eram voltadas para a formação moral do estudante.

A História Universal dava exemplo de grandes homens da História, com o predomínio para o estudo do Oriente Próximo e da Antigüidade Clássica. A História Sagrada concebia os acontecimento como providência divina fornecendo as bases para uma formação cristã. Nas escolas já existiam divergências entre as abordagens e na importância que era atribuída a Igreja na História, dependendo dos professores leigos ou católicos e o fato das escolas serem públicas ou de ordens católicas.

Foi acrescentado a este programa a História do Brasil, pois cabia a História Universal dimensionar a nação brasileira no mundo ocidental cristão. O Estado brasileiro organizava-se politicamente necessitando assim de um passado que legitimasse a sua constituição. Os acontecimentos ensinados iniciavam-se com a história portuguesa que destacava a sucessão de  reis portugueses e seus governos. Em seguida introduzia-se a história brasileira com as capitanias hereditárias, os governos gerais, as invasões estrangeiras ameaçando a integridade nacional. Os conteúdos culminavam com os “grandes eventos” da Independência e da Constituição do Estado nacional.

Criado no mesmo ano que o Colégio D. Pedro II, o Instituto Histórico e geográfico Brasileiro elaborou a sua primeira proposta de ensino de história do Brasil,. Essa proposta enfatizava a miscigenação (branco/negro/índio) mas defendia a hierarquização destacando a superioridade da raça branca, privilegiava o Estado como principal agente da História e enfatizava fatos essenciais na constituição do processo histórico nacional como as grandes navegações, as façanhas marítimas comerciais e guerreiras dos portugueses, a transferência e o desenvolvimento das instituições municipais portuguesas no Brasil, o papel dos jesuítas na catequese e as relações entre a Igreja e o Estado. A história é relatada como uma verdade indiscutível e estruturada como um processo continuo, linear que determinava a vida social do presente.

As reformas curriculares realizadas no final d século XIX evidenciaram projetos que defendiam o currículo humanístico, com ênfase para as disciplinas literárias, destinadas a formação do espírito, outros desejavam introduzir um currículo mais científico, mais técnico e prático,  adequado a modernização  que se propunha para o país. Os dois projetos idealizados pensavam a história como disciplina escolar voltada para a formação da nacionalidade.

Nas última décadas do século XIX começaram a surgir críticas à redução da História a uma classificação cronológica de dinastias ou um catálogo de fatos notáveis dos dois reinados. No discurso republicano inspirado nas idéias  positivistas, a escola  e o ensino deveriam denunciar os atrasos impostos pela monarquia e assumir o papel de colocar os indivíduos e a própria nação na rota do progresso e da ordem. O ensino da História passa a fundamentar uma nova nacionalidade projetada para modelar um novo trabalhador, o cidadão patriótico. O Estado agora sem a intervenção da Igreja permanece como principal agente histórico. A História Nacional junto com a História da Civilização continua a enfatizar o passado homogêneo, as lutas pelo território e a unidade nacional, difundindo feitos gloriosos dos bandeirantes como Raposo Tavares e Borba Gato, Militares como Duque de Caxias, mártires como Tiradentes,  etc.

Nas primeiras décadas do século XX surgem propostas alternativas ao modelo oficial com as escolas anarquistas que propõe um ensino História voltado para os principais momentos de lutas sociais como a Comuna de Paris, a Abolição, etc. Esses modelos são imediatamente reprimidos pelo governo republicano.

A partir de 1930 a História do Brasil e a História geral formam uma só área, A História da Civilização. O ensino da História tentava legitimar o discurso da “democracia racial”. Em meados dos anos 30 a educação adota o escolanovismo que apesar de propor abordagens e atividades diferenciadas, nas salas de aulas era comum os estudantes recitarem lições, decorar datas e nomes de personagens considerados mais significativos para a História.

A partir de 1942 no contexto do “Estado Novo” era tarefa do ensino de História criar nas novas gerações a consciência da responsabilidade diante dos maiores valores da Pátria. A carga horária da disciplina aumenta, a História geral e a História do Brasil passa a serem áreas distintas. A história brasileira é privilegiada. A ênfase é dada às comemorações de heróis em grandes festividades cívicas.

Na década de 50 e 60 por influência do nacional – desenvolvimentismo, a História voltou-se para temas econômicos, são feitos questionamentos so modelo agroexportador e valorização da industrialização. O ensino de história passa a focalizar os ciclos econômicos em suas sucessão linear. A presença norte americana vai dar lugar no currículo a História das Américas, especialmente a História dos estados Unidos.

No início da década de 60 a formação de professores na perspectiva da História Nova com estudos sob a influência da historiografia marxista, que ao invés de valorizar a trajetória vitoriosa da burguesia, dava ênfase as transformações econômicas e aos conflitos de classe social destacando essas como agentes das transformações históricas, o ensino continuou imerso em uma abordagem estruturalista em que a história era estudada como conseqüência de estágios  sucessivos e evolutivos. Nessa época além da importância da História para a formação do cidadão político, ela passou a ser fundamental para a formação do pensamento crítico desse cidadão.

O período que vai da Segunda Guerra Mundial até a década de 70 caracterizou-se por dois momentos de implantação dos Estados Sociais ( áreas de integração do saber com ênfase para as questões conjunturais e cívicas) – O fim da Ditadura Vargas e durante o Governo Militar de 64.

Durante a Guerra Fria e sob a influência dos Estados Unidos e a concepção tecnocrata  houve uma desvalorização da área de humanas em favor de um ensino mais técnico voltado para a formação de mão-de-obra para a indústria. Houve redução da carga horária do ensino de História e Geografia e avanço dos estudos Sociais.

Como advento da Lei 5692/71 no governo militar de 64, ao lado da Educação Moral e Cívica (EMC) e da Organização Social e Política Brasileira (OSPB) os Estudos Sociais esvaziaram os conteúdos de História e Geografia e valorizaram conteúdos de uma abordagem nacionalista destinada a justificar o projeto nacional do governo militar de 1964.

Nas décadas de 70 e 80 profissionais desencadearam lutas por todo o Brasil pela volta da Geografia e da História nos currículos escolar e extinção dos Estudos Sociais.

A partir da década de 80 com o processo de redemocratização do país, as diversas tendências historiográficas passaram a influenciar os currículos sensibilizando para questões relacionadas a História Social, Cultural e do Cotidiano o que permitiu rever o formalismo das abordagens históricas sustentadas nos eventos políticos administrativos ou nas analises econômicas estruturalistas.

Nesse contexto questões como sujeito histórico, produção histórica, ideologias subjacentes a produção historiográfica e ao ensino foram questionadas e denunciadas. Ainda nesse contexto outras questões levantadas foram :

  • Iniciar o ensino pela História do Brasil ou História geral.
  • Opção por intercalar conteúdos da antigüidade até a atualidade tendo como ponto de partida a crítica a abordagem eurocêntrica.
  • Iniciar com a história das Américas.
  • Introduzir conteúdos de história regional e local
  • Trabalhar com temas.
  • Considerar os estudantes como participantes ativos do processo de construção do conhecimento.

Criticas aos livros didáticos.

Todas essas questões estão encaminhando mudanças em relação aos objetivos, conteúdos e métodos do ensino de história no ensino fundamental que como FONSECA afirma:

“deve ser pensado no interior das mudanças sociais vivenciadas por nós em determinados momentos históricos”.[3]

Algumas outras questões a serem pensadas são:

  • A distancia entre o conhecimento escolar e o conhecimento acadêmico.
  • Necessidade de envolver a escola no debate historiográfico atual.
  • Diferentes percepções em relação ao processo ensino aprendizagem
  • Função social da escola e do professor
  • Relações entre currículo formal e currículo real.
  • As contradições fundamentais da escola  e tantas outras que poderemos levantar.

O importante me tudo isso é a necessidade do dialogo. Diálogo no sentido de recriar as relações de ensino. Relações professor e aluno, conhecimento histórico e realidade social, em benefício da História na formação social e intelectual de indivíduos para que de modo reflexivo e consciente, desenvolvam a compreensão de sí, dos outros e de sua inserção em uma sociedade histórica e da responsabilidade de todos na construção de sociedades mais igualitárias, mais justas e mais democráticas.

 

A apresentação 10/16/2010

A apresentação está 90% pronta e a execução do projeto será no dia 18/10 as 10hs.

Clique aqui para fazer o download do material, incluindo os arquivos fonte do trabalho.

 

Definição do objeto de RA 10/16/2010

Em entrevista com a professora Juliana Rita Magalhães no dia 11 de outubro, ficou definido que o conteúdo a ser apresentado em Realidade Aumentada é o “Destino Manifesto” pois é o conteúdo onde os alunos tem tido maior dificuldade de entendimento nos ultimos anos.

Isso também facilitou definição do objeto a ser utilizado como input. A transcrição do artigo intitulado “Annexation” de John L. O’Sullivan em sua revista Democratic Review em 1845.

Mais sobre o destino manifesto:

 

Mapa da sala de aula & Definição de inputs e outputs 10/16/2010

Este é o mapa da sala de aula e definição de inputs e outputs do projeto. (Clique para aumentar)

 

Testes de inputs – Captação de imagens através da webcam 10/16/2010

Filed under: Flash,Material tecnico,RA — victorrm @ 11:16
Tags: , , , , ,

Fiz um testes com 3 webcams diferentes para a captação de movimento e QRCode.

A webcam que apresentou o melhor desempenho foi a Playstation 3 Eye,  conseguiu captar o QRCode a quase 3m de distância e não apresentou problemas com o foco.

A Microsoft lifecam hd-5000 também mesmo tendo a melhor qualidade de imagem, possui alguns problemas com o foco.

A webcam do notebook kp-dv 6000 (HP Webcam 1000) obteve o pior resultado, baixo framerate, captação e qualidade de imagem.

Webcams utilizadas para o teste:

Playstation 3 Eye

Playstation 3 Eye

HP Webcam 1000

http://www.notebooks.com/wp-content/uploads/HP-dv6000od.jpg

Microsoft lifecam hd-5000

http://www.revolucaodigital.net/wp-content/uploads/2010/03/microsoft_lifecam-hd-5000.jpg

 

Layout da apresentação 10/11/2010

Modelo de apresentação

Modelo de apresentação com mapa

Modelo de apresentação com a barra de navegação

Referências:

 

Histórico da tipografia do estilo Western 10/09/2010

Filed under: design,História Americana — victorrm @ 16:35
Tags: , , , ,

Tipografias que remetem ao estilo western, optei pela utilização da fonte Caslon, por facilitar a leitura no projetor.

artigo retirado de: http://www.webdesignerwall.com/general/brief-history-of-western-typography/
em: 7/10/10

Being a specific form of art, typography has always been coherent with the general progress of art and cultural growth of humanity. This is why the history of western typography reflects the development of art in Europe to a considerable degree. The epoch of Roman Empire, Renaissance, Baroque, and the art of Industrialization period – we can track the traces of each stage of art development in the design of particular typefaces, born during a respective period of time. In fact, the whole history of western typography has always been about the development of new trends, and the revival of ancient techniques of writing and lettering designs.

The below article aims at providing key facts from the history of western typography supplied with modern font examples, which could represent and illustrate the font styles, specific for each stage of typography development.

Today thanks to the rapid development of computer technologies and digital fonts, a new chapter of western typography history is being written. Along with multiple modern fonts, reflecting the modern art ideas, such as graffiti or 3D effects, many font designers still do their best to give new life into ancient scripts, developing professional fonts based on old typography rules and classical typefaces, which have already withstood the test of time.

Modern terminology explains typography as the art or technique, which deals with arranging type, type design, and glyphs appearance. Since this craft had different courses of development in Asian region and in Europe, it is a commonly accepted approach to differentiate Western typography from that formed in other places of the world.

At the dawn of Western Typography

Middle of the 15th century is usually associated with the dawn of the Western typography as the systematic craft. Though the design or appearance of letters had been evolving during many centuries before, it was in the 15th century, when the first types, fonts, and typefaces appeared, owing largely to the rapid development of movable type printing.

The first typefaces, which appeared in Europe, such as D-K type (around 1455) for the first book printed in Europe, had distinct gothic blackletter traits. Bensch Gothic font can now be used to show how those first fruits of Western typography looked like. Later under the influence of typographic traditions and trends in Italy new typefaces were presented: Bastarda, fraktur, rotunda, and Schwabacher. Those typefaces featured distinctive professional design with structurized and highly organized glyphs. Modern computer fonts Stonehenge Regular, Breitkopf Fraktur, Typographer Rotunda, and Schwabacher mimic the appearance of the mentioned medieval typefaces.

Bensch Gothic

Bensch Gothic free font

Stonehenge Regular

Stonehenge Regular free font

Breitkopf Fraktur

Breitkopf Fraktur free font

Typographer Rotunda

Typographer Rotunda free font

Schwabacher

Schwabacher free font

Old Style Types during Middle Ages

The design of inscriptional capitals, found on Roman buildings, formed the background for the next step of Western typography. Structurally appropriate design, angled stresses, contrasting strokes, and serifs became the characteristic features of the traditional typefaces ever developed by Western typography artists.

By the end of the 15th century a Roman type was formed thanks to the works of Nicolas Jenson, Francesco Griffo, and Erhard Radolt. Nowadays, the representatives of Roman typeface family, for example Justus Roman, Grandesign Neue Roman, GalileoFLF-Roman remain among the most popular typefaces, widely used in multiple practical applications.

Justus Roman

Justus Roman free font

Grandesign Neue Roman

Grandesign Neue Roman free font

GalileoFLF-Roman

GalileoFLF-Roman free font

Typography during the Renaissance

The epoch of Renaissance brought a new style of writing, known as “cursiva humanistica”. The slanted glyphs design gave birth to a wide range of Italic or cursive typefaces. A great contribution to the development of Western typography was made by Claude Garamond. He developed the typefaces, known as “Canon de Garamond” and “Petit Canon de Garamond”, which became the prototype for modern Garamond style fonts, such as Apple Garamond, SGaramond Regular, and others.

Apple Garamond

Apple Garamond free font

SGaramond Regular

SGaramond Regular free font

Transition to Modern Style

The 17th and 18th centuries introduced new trends in Western typography: the letters received greater contrast between thick and thin strokes, bracketed serifs turned into fine almost straight lines, and the stressing became vertical. William Caslon, Johann Fleischmann, and John Baskerville made notable contributions to the development of the so-called transitional Roman typefaces. Caslon-Bold, Dustismo Roman Bold, Sanskrit Roman Bold Italic fonts inherit the best traits of this particular tradition in western typography.

Caslon-Bold

Caslon-Bold free font

Dustismo Roman Bold

Dustismo Roman Bold free font

Sanskrit Roman Bold Italic

Sanskrit Roman Bold Italic free font

Western Typography in 19th-20th century

Due to the rapid development of industries in the 19th and 20th century, typography again made a significant step forward. Though experts say that this period was not marked with any novelties in the typefaces design, great progress was made in terms of typographic technology. After the invention of lithography in 1796, typography was popularised over a wide range of applications from newspapers to posters and advertisings.

Modern days of Western Typography

With the appearance of personal computers at the end of the 20th century, a new round of western typography has begun. Now, font designers are no longer limited with the specifications of the metal types, a new font or typeface can be designed in a relatively easy way with the help of specialised computer applications or font editors. Computer fonts are now widely used by every user of personal computer, which gave the push to the appearance and growth of the huge free font repositories in the Internet, such as Fonts2u, where anyone can find a great variety of digital fonts, download them and use in personal documents or designing projects.

 

O incômodo do tema das emoções no design 10/09/2010

Filed under: design,Referencias — victorrm @ 15:22
Tags: , ,
escrito em: 7/10/2010

Por Guilherme Corrêa Meyer

"Mantenha ao seu redor coisas e pessoas que te  inspirem". Ilustração de Alex Noriega.“Mantenha ao seu redor coisas e pessoas que te inspirem”. Ilustração de Alex Noriega.

O tema das emoções vem ocupando um espaço generoso nas discussões sobre o design. Se o seu impacto é notável, como parece ser, ele o é porque mexe em velhos paradigmas. Das colisões que o tema promove, surgem dissidências, formam-se novos grupos de pesquisa, dissolvem-se antigos, aparecem interessados no assunto, fortalecem-se algumas abordagens, e desmoronam-se outras. Provoca-se um movimento de inquestionável fervor. Alguns pensadores preferem desconsiderar a agitação causada, mantendo-se assim fiéis ao que antes vinham estudando e ao cenário costumeiro. Outros se mostram completamente afetados pela nova perspectiva, e a defendem bravamente, agindo sob o lema do “custe o que custar”, como se fossem responsáveis pelo surgimento do tema, e comprometidos por sua longa vida. E ainda outros, estes os mais sensatos (por uma simples questão de equilíbrio e coesão), procuram se apoiar nos problemas que a nova idéia gerou, para ajustá-la devidamente. Assim, confiantes de que somente esta última alternativa seja razoável, procuraremos realizá-la, modestamente.

Os primeiros estudos formais sobre o Design e Emoção, promovidos pela International Conference on Design & Emotion, em 1999, eram orientados pela idéia de que caberia ao design levar em conta o impacto emocional que seus produtos e sistemas gráficos exerciam na sociedade. Estes estudos partiam de uma crítica geral de que os produtos não satisfaziam mais por suas “funcionalidades”, e que haviam chegado num nível de “perfeição técnica” em que o “prazer”, o “desejo”, e os “sentimentos inspirados” passariam a levar a melhor (Overbeeke e Hekkert, 1999, p.5).  Uma vez identificado este nicho de pesquisa, abriu-se espaço para a exploração de um novo aporte teórico, de novos métodos, e novas ferramentas que assessorassem as práticas interessadas nas questões emocionais de uso.

Demir (2008) sintetizou os objetivos destes estudos em dois eixos principais. Um deles, atender as expectativas emocionais dos usuários, de forma a lhes proporcionar uma melhor qualidade de vida (McDonagh e Lebbon, 2000). O outro, entender o impacto emocional dos produtos no momento em que o usuário decide-se pela compra de um produto, de forma a aumentar as chances de venda deste produto.

Os objetivos enunciados indicam, por si só, dois núcleos diferentes. O primeiro repousa sobre a qualidade de vida do indivíduo. O segundo, sobre a venda do produto. Ou, em outras palavras, a um interessa o indivíduo, ao outro, o produto. Mas, apesar desta diferença latente, as críticas, ainda assim, recaem sobre ambos os lados.

Para Love (2009), ambas as perspectivas falham por não partirem de um “entendimento detalhado das interações entre indivíduos e objetos”. A análise do autor destaca, inicialmente, a superficialidade destas pesquisas, que desconsiderariam o detalhamento de aspectos que lhe seriam fundamentais. E enfatiza, mais adiante, a inversão de suas prioridades, que estariam privilegiando detalhes e recursos dos produtos, ao invés da reação emocional dos designers e usuários em relação ao produto.

O detalhamento a que Love se refere, diz respeito aos, não menos genéricos, aspectos biológicos, pessoais, sociais e culturais de uso dos produtos. Damásio pode nos ser de grande serventia para pensar nestes aspectos. Ele nos explica a maneira como as pessoas processam as emoções, e mais precisamente a forma como elas reagem emocionalmente aos produtos com os quais se relacionam. Para o autor, esta reação é influenciada por aspectos sociais, culturais, biológicos e por experiências pessoais, que variam de pessoa para pessoa, de sociedade para sociedade e que não apontam em hipótese alguma, para um denominador comum. Sobre o aspecto da experiência pessoal, imaginemos uma criança que sofre um terrível mal estar provocado por uma briga de torcidas em um estádio de futebol. Quando ela, depois de adulta, retorna ao estádio, é provável que experimente uma sensação semelhante à vivenciada na infância, ainda que a nova ocasião não ofereça qualquer iminência de perigo.

O entendimento detalhado da relação das pessoas com os produtos, sob a instrução de Damásio, passa também por uma etapa de avaliação não automática, em que nos postamos frente aos produtos de acordo com aquilo que nos foi ensinado. São emoções que correspondem com o que a cultura postula. São ensinadas, portanto, correspondências emocionais para dados objetos e situações, que não dizem respeito a uma reação inata.  Um exemplo é o consumo de produtos que não agridam o meio ambiente, cuja realização costuma provocar emoções agradáveis em pessoas que aprenderam o valor do consumo consciente.

Ao que parece, a falta de aprofundamento que incomoda a Love diz respeito à maneira como alguns estudos do Design e Emoção têm deixado escapar estes aspectos. Uma vez concordado que as respostas emocionais das pessoas frente aos produtos sejam influenciadas por eventos tais como as experiências pessoais, e as lições culturais de cada sociedade, tornam-se questionáveis as virtudes de qualquer mecanismo que proponha universalidade. Afinal, como falar em parâmetros universais num contexto em que cada pessoa e cada sociedade devam ser tomadas como referências únicas?

Talvez por isso as críticas sobre as técnicas e ferramentas utilizadas para se mensurar a relação emocional das pessoas com os produtos sejam tão incisivas. A promessa destes instrumentos, de medir universalmente a emoção provocada por um produto, sensibiliza nitidamente a comunidade de pesquisa de design (basta que se veja a presença do tema nos congressos e nos periódicos de design), e as empresas que trabalham com produtos e serviços. E não é por menos: afinal conhecendo os aspectos mais favoráveis ao bem-estar subjetivo de seus usuários, as empresas como que aumentam as chances de acertar em cheio ao lançar um produto.

Somada às duvidas sobre a capacidade destes instrumentos, as críticas também repousam sobre a finalidade comercial das pesquisas sobre o tema. Isto ocorre porque o viés comercial dos estudos acaba por comprometer, em algum nível, a qualidade de vida da sociedade, assim como o bem estar comum, as condutas responsáveis, e a transformação de “realidades existentes em outras mais desejáveis” (Frascara, 2000, p.19).

Mas apesar de toda a desconfiança depositada sobre o cenário dos estudos do Design e Emoção, não se pode fechar os olhos diante dos avanços que algumas pesquisas têm alcançado. Além disso, o fato de estas críticas recaírem sobre este novo empreendimento do design, não é privilégio do tema. Lembrando Popper, o processo de investigação de um objeto qualquer passa por um exercício marcado por conjecturas e refutações, de que não se pode furtar. Assim, a partir destas contestações, começam a aparecer meios de se sobrepujar os problemas das abordagens incipientes. No caso do tema das emoções no design, encontramos o material das ciências sociais e da antropologia, que, por exemplo, vem revelando grande serventia. Entre eles talvez se destaquem com maior proeminência a etnografia, a observação participante, o grupo de foco, entre outros instrumentos qualitativos.

Deve-se destacar, apesar destas agruras todas, que para se tratar adequadamente os problemas de um tema qualquer, é fundamental antes observar seus elementos constitutivos. É somente através deste exercício que podemos identificar os instrumentos pelos quais o campo pede. Estas escolhas não podem ser feitas através de outro sentido, estabelecendo-se os métodos antes de conhecer-se o objeto a ser investigado. No caso do Design e Emoção percebemos, algumas vezes, esta inversão. E nos damos conta de que quando tal operação ocorre, desvirtuada, chega-se a um resultado parcial e fragilizado. E o percurso para avançar-se no tema torna-se, invariavelmente, mais longo e tortuoso.

Bibliografia

DEMIR, E. The field of design and emotion: concepts, arguments, tools and current issues, 2008. Disponível em

http://jfa.arch.metu.edu.tr/archive/0258-5316/2008/cilt25/sayi_1/135-152.pdf (acesso em fev. de 2010).

FRASCARA, J. Diseño Gráfico para la gente: Comunicaciones de masa y cambio social. Buenos Aires: Ediciones Infinito, 2000.

MCDONAGH-PHILP, D. and LEBBON, C. (2000) The Emotional Domain in Product Design, The Design Journal, 3(1) 31-43.

LOVE, T. Design and Emotion: Time for a New Direction?, 2009. Disponível em http://www.iasdr2009.org/ap/Papers/Orally%20Presented%20Papers/Behavior/Design%20And%20Emotion%20-%20Time%20For%20A%20New%20Direction.pdf (acesso em março de 2010).

Overbeeke, C. J., & Hekkert, P. (Eds.) (1999). Proceedings of the 1st International Conference on Design and Emotion. Delft: Delft University of Technology

 

Modelos de Interação com RA 10/08/2010

Filed under: Bibliografia,RA — victorrm @ 01:39
Tags: ,

Os inputs mais utilizados em RA são posicionamento (via GPS) e QRCodes.

Segundo o artigo XX o modelo de interação mais adequado para o projeto é através do QRCode.

Videos com aplicação de RA com o modelo de interação:

Camiseta com RA

RA Vestivel

 

Aplicações de RA em ensino e Museus 10/08/2010

Filed under: Bibliografia,Ensino e aprendizagem,RA — victorrm @ 01:01
Tags: , , ,

Learn Ar Example

Augmented Reality

AR-Museum (Augmented Reality for Museums)

Ação de RA Interessante para novos alunos